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17.4.16

Quando minhas roupas não refletem meu eu

Já fazia um tempo que eu andava meio de mal com meu guarda-roupa. Acho que toda menina tem essa sensação de nunca ter o que vestir e comigo não é diferente. Mas acho que eu descobri o principal motivo para isso estar acontecendo comigo: não me identifico mais com boa parte das roupas que estão no armário. Vestidinhos tipo menininha? Cardigans com estampas fofinhas? Casaquinhos coloridinhos? Essa fofura não me representa. Não mais.

Quando eu tinha 14 anos acahava lindo tudo que eu via de look em fotos da internet. Adorava todos os estilos e peças diferentes, mas o que era a minha paixão mesmo era o tal do estilo girlie, com peças bem tipo menininha. Na época, eu não tinha a menor noção de roupa e, quando saía pra fazer compras, comprava tudo que achava diferente ou fofinho. Não importava se eu já soubesse que não iria usar, pois eu me obrigava a acreditar que usaria. Assim, meu armário foi se entulhando dessas peças que, tendo usado ou não, na época eu amava.

Hoje, quatro anos depois, muitas coisas mudaram. Dou muito mais valor ao dinheiro dos meus pais e já sei prever melhor o tipo de roupa que eu vou usar ou não. Há alguns meses, tenho percebido que, nesses últimos anos, eu não apenas criei uma consciência financeira e uma consciência do que eu visto ou não, mas também que meus gostos mudaram. Não sou mais aquela menina fofinha que gosta de coisinhas cute. Simplesmente não sou.

Esses dias, vi um post da Jess, do blog caos criativo, contando sobre a experiência dela de ter "jogado fora" boa parte do seu guarda-roupa por não se identificar mais com suas roupas. Esse post não só me inspirou a fazer o mesmo, mas também me mostrou a importância da moda na vida das pessoas como ferramenta de expressão. E sim, eu não acreditava que a moda tivesse essa importância toda. Por mais consumista que eu tenha parecido no começo desse post, eu sempre pensei na moda como algo fútil e superficial.

A Jess me inspirou. Finalmente, depois de tantas separações de roupas para a doação, tive coragem de deixar os cardigans que eu tanto amava alguns anos atrás irem embora também. Pode parecer meio bobo, mas eu não conseguia me desfazer deles por saber que eles já foram meus queridinhos. Era como se eu fosse obrigada a gostar deles para sempre. Ainda bem que eu caí na real e percebi que as coisas mudam e que temos que deixar ir o que já não faz mais parte de nós. Depois de decidir que iria doa-los, me senti aliviada, me senti mais feliz.

Ainda não terminei de fazer a limpa no guarda-roupa todo, mas, só por essa primeira parte, já sinto ter alcançado uma conquista e mais encorajada para continuar com essa "limpa da felicidade".